Power Rangers: Por Que a Série Foi Banida no Canadá e Nova Zelândia Devido à Violência?
Publicado em • por princesinha • 151 visualizações
O fenômeno que dividiu opiniões entre crianças e autoridades
Alimentando a imaginação dos fãs há mais de 30 anos, Mighty Morphin Power Rangers marcou a infância de gerações inteiras ao redor do mundo. A série, que estreou em 1993, tornou-se um sucesso estrondoso globalmente, incluindo no Brasil, onde conquistou uma legião de fãs fiéis. No entanto, nem todos os países receberam os jovens heróis de braços abertos.
Em uma decisão controversa que chocou milhares de crianças e dividiu opiniões, Canadá e Nova Zelândia baniram a exibição de Power Rangers de suas televisões por considerarem o programa excessivamente violento para o público infantil.
A Polêmica no Canadá: Quando os Órgãos Reguladores Disseram “Não”
Em novembro de 1994, o Canadian Broadcast Standards Council (CBSC) de Ontário tomou uma decisão histórica que reverberaria por anos. Após reclamações de pais preocupados, o conselho declarou que “Mighty Morphin Power Rangers” “retratava violência excessiva”, tornando-se a primeira decisão negativa sob o código voluntário de violência televisiva do Canadá, implementado há menos de um ano.
A rede YTV, principal canal infantil canadense, removeu imediatamente a série de sua programação em novembro, antes mesmo do fim da primeira temporada. A Global TV, outra emissora importante, seguiu o mesmo caminho, mesmo oferecendo aos produtores a possibilidade de modificar o conteúdo para torná-lo menos violento.
O impacto foi imediato e duradouro. Nenhuma nova temporada da franquia Power Rangers foi ao ar na rede até 2011, com Power Rangers Samurai, representando um hiato de quase 17 anos na televisão canadense aberta.
Nova Zelândia: A Reação Mais Drástica
A situação na Nova Zelândia foi ainda mais severa. A série foi banida no país até 2011, ironicamente o mesmo local onde várias temporadas da franquia foram filmadas posteriormente.
Durante os meses de maio e julho de 1994, quatro reclamações formais sobre Power Rangers foram encaminhadas à Broadcasting Standards Authority (BSA). As queixas vieram de diversas fontes:
- Pais e professores de jardins de infância
- Children’s Media Watch, um grupo de pressão preocupado com a programação infantil
- Mães de crianças pequenas
Reguladores da Nova Zelândia relataram que uma das escolas reclamantes disse que as crianças se tornaram muito mais agressivas; um professor foi atingido por um chute alto de um aluno.
As Preocupações dos Especialistas
A principal preocupação dos reclamantes era que o programa retratava a violência como o meio primário de resolução de conflitos, e que isso estava influenciando as crianças a se comportarem de forma mais violenta e com maior frequência.
As reclamações alegavam que o programa ensinava que a violência era a melhor forma de resolver conflitos, e os pais temiam que as crianças pequenas tivessem níveis aumentados de agressividade como resultado de assistir ao programa.
A série de sucesso não tinha mais lugar na programação do país devido às reclamações de pais à Broadcasting Standards Authority de que as crianças se tornaram mais violentas no recreio tentando imitar os heróis de ação que praticavam caratê.
O Paradoxo Canadense: Disponível via Cabo
Uma situação peculiar se desenvolveu no Canadá. Enquanto as emissoras nacionais removeram o programa, canadenses com televisão a cabo ainda podiam assistir ao programa através de canais americanos e outras fontes que o conselho não conseguia regular. Isso criou uma situação contraditória onde a série era considerada “muito violenta” para crianças canadenses, mas permanecia acessível através de outros meios.
O Impacto Global Versus as Restrições Locais
É importante contextualizar que, apesar dessas controvérsias específicas, Power Rangers foi exibido em aproximadamente 30 países ao redor do mundo com pouca polêmica. A série continuou sendo um fenômeno global, gerando mais de 6 bilhões de dólares em vendas de brinquedos desde seu lançamento.
O Retorno: Quando a Postura Mudou
Décadas depois, ambos os países revisitaram suas posições. O Canadá gradualmente permitiu o retorno da franquia, enquanto a Nova Zelândia oficialmente levantou o banimento em 2011. Essa mudança refletiu não apenas uma evolução nos padrões de censura, mas também o reconhecimento de que a série, apesar de suas sequências de ação, continha mensagens positivas sobre trabalho em equipe, amizade e responsabilidade.
Reflexão: Entre Entretenimento e Responsabilidade
O caso Power Rangers levanta questões importantes sobre o equilíbrio entre liberdade criativa e responsabilidade social na programação infantil. Enquanto alguns viram as decisões do Canadá e Nova Zelândia como censura excessiva, outros as defenderam como medidas necessárias para proteger o desenvolvimento infantil.
Três décadas depois, o debate continua relevante, especialmente em uma era onde o conteúdo infantil é mais diversificado e acessível do que nunca. A história de Power Rangers serve como um lembrete de que o que consideramos apropriado para crianças pode variar drasticamente entre culturas e épocas.
Leia online:
https://aprincesinha.com/2025/09/02/power-rangers-banido-canada-nova-zelandia-violencia/